BONECA DE CERA (2)
De longe, cansada e triste, chegou a musa
que pelos meus versos suspirou um dia,
procurando para a vida insípida e confusa
o elixir que dissipasse a mórbida monotonia !
Como uma ave ferida, já quase sem sangue,
nada me pediu essa mulher atormentada,
e, na poesia refugiando o coração exangue,
menina mimada se sentiu e sorriu aliviada !
Aos poucos o encanto poético se perdeu
e a Mulher a vícios execrandos se rendeu,
ignorando todo o amor que o poeta lhe dera !
Que leve e doce lhe seja o manto de breu
para que a divina Eva não ceda ao camafeu
e a futilidade não a torne uma boneca de cera !
Lud MacMartinson
LMMP
Luxemburgo, 05-06-2017
